sábado, 29 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Aprenda a Fazer Coxinha de Frango
Aprenda a Fazer Coxinha de Frango

Sou apaixonado por coxinhas, em alguns passos bem simples você prepara esses deliciosos salgados, segue:
INGREDIENTES:
2 peitos de frango;
1 Cebola Picada;
Alho à gosto;
Cheiro verde à gosto;
1 litro de caldo de frango;
1/2 kilo de farinha de trigo;
Sal;
Temperos a gosto;
1 tablete de caldo de galinha;
MODO DE PREPARO:

Sou apaixonado por coxinhas, em alguns passos bem simples você prepara esses deliciosos salgados, segue:
INGREDIENTES:
2 peitos de frango;
1 Cebola Picada;
Alho à gosto;
Cheiro verde à gosto;
1 litro de caldo de frango;
1/2 kilo de farinha de trigo;
Sal;
Temperos a gosto;
1 tablete de caldo de galinha;
MODO DE PREPARO:
Comece preparando o recheio, cozinhe os peitos de frango, após isso, desfie-os e deixe cozinhar mais um pouco, acrescentando a cebola, o alho e o cheiro verde;
Pegue a àgua de cozimento do frango e ferva, após isso , jogue a farinha e mexa até desprender da panela;
Coloque a massa em uma mesa untada com óleo e deixe esfriar;
Após isso, pegue pedaços da massa e abra na mão, coloque o recheio e feche como um saquinho, enrola e faça em formato de coxinha;
Para empanar é bem simples, primeiro coloque em uma bacia 750 ml de água para 3 colheres de sopa bem cheias de farinha de trigo e dissolver;
Em outra bacia coloque a farinha de rosca;
Ponha a coxinha na farinha com água, passe na farinha de rosca e leve para fritar em óleo já quente;
domingo, 23 de novembro de 2014
Futuro próximo para os alunos em ciência da tecnologia
Pesquisadores de Harvard constroem robô de 10 dólares que pode ajudar alunos do ensino médio e crianças em sala de aula para cálculos, na área da ciência e da engenharia
Mike Rubenstein quer colocar robôs em sala de aula. Trabalhando com outros dois pesquisadores da Universidade de Harvard, Rubenstein criado recentemente o que eles chamam aerobot, um bot que podem ajudar a ensinar programação e inteligência artificial para crianças do ensino médio e estudantes do ensino médio. Isso pode parecer um luxo bastante caro para a maioria das escolas, mas não é. Custa apenas R $ 10,70. A esperança é que ele pode ajudar a empurrar mais crianças em STEM, os estudos que envolvem a ciência, tecnologia, engenharia e matemática. A ferramenta é parte de um esforço generalizado para ensinar programação e outros conhecimentos de informática para mais filhos, em fases anteriores. É o chamado movimento de alfabetização de código, e isso inclui tudo, desde linguagens novas e mais simples de programação para livros infantis que ensinam conceitos de codificação. O projeto de Rubenstein cresceu a partir da 2014 Afron Desafio, realizado em janeiro, que pedia aos pesquisadores projetar baixo custo de sistemas robóticos para a educação no mundo em desenvolvimento. Parte dos sistemas auto-organizados Grupo de Pesquisa da Universidade de Harvard, estudou Rubstein longo robótica do enxame, que visa criar rebanhos de pequenos robôs que podem se comportar como um todo, e ele acabou adaptando um de seus sistemas de enxame a fim de construir AERobot. É uma única máquina, não um enxame bot, mas ele é construído a partir de muitos dos mesmos materiais baratos. Ele e seus colegas reuniram a maioria dos eletrônicos, com uma máquina de uma máquina de pick-and-place que cria automaticamente as placas de circuito impresso e, a fim de reduzir ainda mais os custos, eles usaram motores de vibração para a locomoção e deixou de fora um chassis. O dispositivo não inclui a sua própria interface de programação ou no carregador. Ela recebe tanto de um computador desktop ou laptop, ligar na porta USB. "Há sem frescura extras", diz Rubenstein. No lado do software, Rubenstein modificou uma linguagem de programação chamada minibloqs, um meio altamente gráficas de máquinas de programação. "Você realmente não precisa digitar o código. Você arrasta imagens ", explica. "Digamos que eu queria um LED no robô para ficar verde. Gostaria apenas de arrastar mais de uma imagem de um LED, e escolher a cor verde. "A linguagem, diz ele, é um pouco como zero, a linguagem de programação para crianças desenvolvidos no MIT. O bot pode se mover para frente e para trás em superfícies planas, ligue no lugar, detectar a luz, siga as linhas e bordas, e identificar distâncias usando luz infravermelha refletida. E a idéia é que as crianças vão aprender, mas a programação do bot para fazer essas coisas. Rubenstein e sua equipe oferecem um currículo de quinze lição que anda estudantes através dos sensores e atuadores, o fluxo de programação e lógica, e como criar comportamento do robô específico. No 2014 Afron Desafio, AERobot ganhou o prêmio mais importante na categoria de software, e ficou em segundo lugar nas categorias de hardware e curriculares. A equipe, desde então, testei com cerca de 100 sixth- a oitava niveladoras em um acampamento de verão com foco em STEM chamado i2Camp, e eles planejam fazer mais testes no próximo verão. Rubenstein disse que para a próxima iteração do bot, o grupo está se concentrando em melhorar o currículo eo software, eliminando etapas do processo de instalação e garantindo AERobot é tão simples que as crianças podem aprender a usar a coisa por conta própria, sem um professor.
sábado, 22 de novembro de 2014
1964: 31 de março - o dia do golpe
Publicado em 24 de abr de 2014
31 de março de 1964. Tropas comandadas pelo General Olímpio Mourão Filho partem de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro com o intuito de ocupar a cidade e depor o presidente João Goulart. A ação, apoiada pelo governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, era articulada por alas militares e tinha forte adesão civil de políticos e empresários. Mesmo assim, a movimentação foi considerada precipitada por militares como Castello Branco e desencadeou a institucionalização precoce da queda de Jango.
50 anos 1964: O golpe
Publicado em 18 de mar de 2014
O golpe é a primeira reportagem da série 1964 e trata do golpe civil-militar propriamente dito. Com a ajuda dos pesquisadores Jorge Ferreira (UFF), Carlos Fico (UFRJ), Luiz Moniz Bandeira (Universidade de Heidelberg) e João Roberto Martins Filho (UFSCar), a UNIVESP TV conta como foram os meses finais do governo João Goulart (1961-1964), culminando na deposição que levou o país a uma ditadura de 21 anos. Qual Brasil coube a Goulart governar? Quais foram os fatos que levaram ao golpe? Por que o presidente não resistiu? Essas são as perguntas que a reportagem tenta responder.
De segunda a sexta às 09h e 20h, o programa Estúdio Univesp traz entrevistas, debates, matérias especiais, notícias e o resumo da programação na tela da UNIVESP TV. O canal para quem quer saber mais e aprender sempre!
Assista também em http://univesptv.cmais.com.br/
Sintonize a UNIVESP TV através dos canais digitais da multiprogramação da TV Cultura. Em São Paulo, o canal é o 2.2. Santos - Guarujá, canal 3.2, Ribeirão Preto, 4.2. Campinas 10.2, São José dos Campos, 27.2.
De segunda a sexta às 09h e 20h, o programa Estúdio Univesp traz entrevistas, debates, matérias especiais, notícias e o resumo da programação na tela da UNIVESP TV. O canal para quem quer saber mais e aprender sempre!
Assista também em http://univesptv.cmais.com.br/
Sintonize a UNIVESP TV através dos canais digitais da multiprogramação da TV Cultura. Em São Paulo, o canal é o 2.2. Santos - Guarujá, canal 3.2, Ribeirão Preto, 4.2. Campinas 10.2, São José dos Campos, 27.2.
Categoria
Licença
- Licença padrão do YouTube
50 anos do golpe -1964: Governo Castelo Branco
Publicado em 29 de jul de 2014
Reportagem sobre o governo do General Humberto de Alencar Castelo Branco - o primeiro general-presidente da ditadura militar iniciada em 1964.
De segunda a sexta às 09h e 20h, o programa Estúdio Univesp traz entrevistas, debates, matérias especiais, notícias e o resumo da programação na tela da UNIVESP TV. O canal para quem quer saber mais e aprender sempre!
Assista também em http://univesptv.cmais.com.br/
Sintonize a UNIVESP TV através dos canais digitais da multiprogramação da TV Cultura. Em São Paulo, o canal é o 2.2. Santos - Guarujá, canal 3.2, Ribeirão Preto, 4.2. Campinas 10.2, São José dos Campos, 27.2.
De segunda a sexta às 09h e 20h, o programa Estúdio Univesp traz entrevistas, debates, matérias especiais, notícias e o resumo da programação na tela da UNIVESP TV. O canal para quem quer saber mais e aprender sempre!
Assista também em http://univesptv.cmais.com.br/
Sintonize a UNIVESP TV através dos canais digitais da multiprogramação da TV Cultura. Em São Paulo, o canal é o 2.2. Santos - Guarujá, canal 3.2, Ribeirão Preto, 4.2. Campinas 10.2, São José dos Campos, 27.2.
Categoria
Licença
- Licença padrão do YouTube
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
20 de Novembro,valeu Zumbi!! PAULINHO DA VIOLA E MARTINHO DA VILA CANTAM "KIZOMBA FESTA DA RAÇA"

Zumbi nasceu na Serra da Barriga, Capitania de Pernambuco, atual União dos Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1652, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu portugues e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa.Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco, cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa portuguesa; a proposta foi aceita pelo líder, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.
Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com vinte guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo de Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.
Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares.
De acordo com José Murilo de Carvalho, em "Cidadania no Brasil" (pág 48), "os quilombos mantinham relações com a sociedade que os cercavam, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos. Não existiam linhas geográficas separando a escravidão da liberdade".
Segundo alguns estudiosos Ganga Zumba teria sido assassinado, e os negros de Palmares elevaram Zumbi a categoria de chefe:
"Depois de feitas as pazes em 1678, os negros mataram o rei Ganga-Zumba, envenenando-o, e Zumbi assumiu o governo e o comando-em-chefe do Quilombo"
Seu governo também teria sido caracterizado pelo despotismo:
"Se algum escravo fugia dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, era executado pela ‘severa justiça’ do quilombo."
"Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e prática da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra."
Para alguns autores, no entanto, a escravidão nos quilombos em nada se assemelharia à escravidão dos brancos sobre os negros, sendo os escravos considerados como membros das casas dos senhores, aos quais deviam obediência e respeito Semelhante à escravidão entre brancos, comum na Europa na Alta idade Média Para estes autores, a prática da escravidão teria dupla finalidade: aculturar os escravos recém-libertos às práticas do quilombos, que consistiam em trabalho árduo para a subsistência da comunidade, já que muitos dos escravos libertos achavam que não teriam mais que trabalhar, e diferenciar os ex-escravos que chegavam aos quilombos pelos próprios meios (escravos fugidos, que se arriscavam até encontrar um quilombo. Sendo, neste trajeto, perseguidos por animais selvagens e pelos antigos senhores, e ainda, correndo o risco de serem capturados por outros escravistas), daqueles trazidos por incursões de resgates (escravos libertados por quilombolas que iam às fazendas e vilas para libertar escravos).
Por outro lado, outros autores apontam a existência de uma escravidão até mesmo predatória por parte dos habitantes de Palmares, que realizavam incursões nos territórios vizinhos, de onde traziam à força indivíduos para trabalharem como escravos em suas plantações, desenvolvendo assim uma espécie de "escravismo dentro da própria 'república'."Escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos também eram capturados e convertidos em cativos dos quilombolas.
Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com vinte guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo de Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.
Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares.
Polêmicas
Alguns autores levantam a possibilidade de que Zumbi não tenha sido o verdadeiro herói do Quilombo dos Palmares e sim : "Os escravosGanga Zumba que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. A luta de Palmares não era contra a iniquidade desumanizadora da escravidão. Era apenas recusa da escravidão própria, mas não da escravidão alheia.[...]"De acordo com José Murilo de Carvalho, em "Cidadania no Brasil" (pág 48), "os quilombos mantinham relações com a sociedade que os cercavam, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos. Não existiam linhas geográficas separando a escravidão da liberdade".
Segundo alguns estudiosos Ganga Zumba teria sido assassinado, e os negros de Palmares elevaram Zumbi a categoria de chefe:
"Depois de feitas as pazes em 1678, os negros mataram o rei Ganga-Zumba, envenenando-o, e Zumbi assumiu o governo e o comando-em-chefe do Quilombo"
Seu governo também teria sido caracterizado pelo despotismo:
"Se algum escravo fugia dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, era executado pela ‘severa justiça’ do quilombo."
"Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e prática da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra."
Escravidão no Quilombo dos Palmares
Apesar ser vista por alguns movimentos e setores da sociedade como representantes da resistência à escravidão, muitos quilombos contavam com a escravidão internamente. Esta prática levou vários teóricos a interpretarem a prática dos quilombos como um conservadorismo africano, que mantinha as diversas classes sociais existentes na África, incluindo reis, generais e escravos.Para alguns autores, no entanto, a escravidão nos quilombos em nada se assemelharia à escravidão dos brancos sobre os negros, sendo os escravos considerados como membros das casas dos senhores, aos quais deviam obediência e respeito Semelhante à escravidão entre brancos, comum na Europa na Alta idade Média Para estes autores, a prática da escravidão teria dupla finalidade: aculturar os escravos recém-libertos às práticas do quilombos, que consistiam em trabalho árduo para a subsistência da comunidade, já que muitos dos escravos libertos achavam que não teriam mais que trabalhar, e diferenciar os ex-escravos que chegavam aos quilombos pelos próprios meios (escravos fugidos, que se arriscavam até encontrar um quilombo. Sendo, neste trajeto, perseguidos por animais selvagens e pelos antigos senhores, e ainda, correndo o risco de serem capturados por outros escravistas), daqueles trazidos por incursões de resgates (escravos libertados por quilombolas que iam às fazendas e vilas para libertar escravos).
Por outro lado, outros autores apontam a existência de uma escravidão até mesmo predatória por parte dos habitantes de Palmares, que realizavam incursões nos territórios vizinhos, de onde traziam à força indivíduos para trabalharem como escravos em suas plantações, desenvolvendo assim uma espécie de "escravismo dentro da própria 'república'."Escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos também eram capturados e convertidos em cativos dos quilombolas.
Paulo Francis e a Petrobras entrvista em 1997 governo de FHC desvio de dinheiro
- Neto de um comerciante luterano alemão de café, Francis fez a educação fundamental e o secundário em colégios católicos tradicionais do Rio de Janeiro, tendo sido interno dos beneditinos (Colégio de São Bento), no curso primário, e aluno dos jesuítas do tradicional Colégio Santo Inácio, no secundário. Freqüentou a Faculdade Nacional de Filosofia na Universidade do Brasil, nos anos 1950.Participou do Centro Popular de Cultura da UNE1 e foi ator amador no grupo de estudantes mantido por Paschoal Carlos Magno. Enfim, acabou por abandonar os estudos universitários no Brasil em favor de um curso de pós-graduação em Literatura Dramática na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde foi aluno do especialista em Bertolt Brecht, Eric Bentley. Não concluiu o curso, mas a partir dele lançou as bases intelectuais de sua futura carreira jornalística.Paulo Francis notabilizou-se, em primeiro lugar, como crítico de teatro do Diário Carioca entre 1957 e 1963, quando intentou realizar uma crítica de teatro que, longe de simplesmente fazer a promoção pessoal das estrelas do momento, buscasse entender os textos teatrais do repertório clássico para realizar montagens que fossem não apenas espetáculos, mas atos culturais – nas suas próprias palavras, "[buscar] em cena um equivalente da unidade e totalidade de expressão que um texto, idealmente, nos dá em leitura […] a unidade e totalidade de expressões literárias".2 Seu papel como crítico, à época, foi extremamente importante.Ficou famoso o ataque – que ele mesmo classificaria mais tarde de "mesquinho, deliberadamente cruel" – à atriz Tônia Carrero –3 que, por havê-lo acusado de "sofrer do fígado" e ser "sexy" – na gíria da época, homossexual – foi por ele acusada de haver-se prostituído e de mercadejar fotos de si mesma despida. Foi por isso agredido fisicamente duas vezes – pelo então marido da atriz, Adolfo Celi, e pelo colega de Tônia no Teatro Brasileiro de Comédia, Paulo Autran.Em 1963, Francis foi convidado por Samuel Wainer a assumir uma coluna política na Última Hora. Como comentarista, apoiou o esquerdismo trabalhista de Leonel Brizola, a ponto de anunciar publicamente que ter-se-ia incorporado a um dos "grupos de onze" de resistência armada antigolpista, que Brizola organizava na época.Levou a tal ponto este radicalismo que chegou a ser demitido por Wainer, que no entanto recontratou-o, paradoxalmente, após protestos de um grupo de membros daburguesia carioca que tinham em Francis uma espécie de "guru" (como disse Wainer em suas memórias: "vou te recontratar, Francis, porque faço tudo o que meu banqueiro mandar").Após o Golpe de 1964 e durante toda a ditadura militar, Francis trabalharia sobretudo no semanário O Pasquim. Paralelamente, na Tribuna da Imprensa de Hélio Fernandes, de1969 a 1976 refinou seu estilo num sentido mais coloquial, tendo sido uma parte importante da resistência cultural, comentando sobre assuntos internacionais e divulgando idéias de esquerda como simpatizante trotskista que era então.Tomou posição contra a intervenção americana no Vietnã e contra a ocupação israelense de territórios disputados na Palestina que afrontaram o consenso pró-americano e israelense da grande imprensa brasileira da época.Francis também se notabilizou pelo grande número de citações de autores, livros, filmes e peças teatrais que apresentava, bem como por suas afirmações categóricas – mas também por erros de informação. Em artigo escrito em 1971 para O Pasquim, recentemente republicado numa antologia de artigos do jornal, Francis admitiu, por exemplo, que uma vez havia redigido "de improviso" um artigo sobre Shakespeare, cujos erros factuais lhe teriam sido apontados por sua colega, a crítica teatral Barbara Heliodora, mas que ele teria mantido todos os erros, por não estar interessado na realidade dos fatos, mas numa "análise".4 Um dos seus erros mais famosos apareceu numa crítica sobre o filme norte-americano Tora! Tora! Tora!, que ele acusava de minimizar o caráter traiçoeiro do ataque japonês a Pearl Harbour. No texto afirmava que o Almirante Yamamoto havia comparecido à première do filme, em 1971, sendo que o militar japonês havia morrido em 1943, quando seu avião foi abatido pelos estadunidenses.Preso diversas vezes por seu caráter subversivo pelos órgãos de repressão ligados ao Regime Militar, em 1971 decide, contraditoriamente, transferir-se para Nova Iorque, passando a atuar como correspondente – primeiro d’O Pasquim, da Tribuna da Imprensa e da revista Status, e, após 1976, do jornal Folha de S. Paulo, então reformulado editorialmente pelo também simpatizante trotskista Cláudio Abramo.
Incursões na literatura[editar | editar código-fonte]
No fim da década de 1970 Paulo Francis lançou-se como romancista, tentando fazer uma crítica geral da sociedade brasileira através dos seus romances Cabeça de Papel(1977) e Cabeça de Negro (1979). Para essa crítica através da literatura, Francis aproveitou suas experiências pessoais dentro da elite cultural e social do Brasil e principalmente do Rio de Janeiro.Os dois romances são uma tentativa de retratar os meios jornalísticos e da boemia carioca dos anos 1960 e 1970, através do uso de um alter ego, que atua como narrador em primeira pessoa, num estilo subjetivo, à maneira já consagrada na ficção moderna por James Joyce e Marcel Proust; por outro lado, esta representação subjetiva, própria da literatura de elite, busca uma concessão ao interesse do leitor médio, ajustando-se (no entender de muitos, como o amigo de Francis, o cartunista Ziraldo) mal a um enredo dethriller de espionagem sofisticado, à maneira de Graham Greene e John Le Carré.Francis engajou-se na literatura de ficção com sua costumeira autossuficiência. Ele declarou, em entrevista ao Jornal do Brasil, que no Brasil só se fariam dois tipos de literatura: o registro de sensações e as reflexões existenciais de uma mulher intelectualizada (e.g. Clarice Lispector) ou as desventuras do povo oprimido pela elite (e.g. o regionalismo deJorge Amado), e que a ele caberia a tarefa de produzir uma literatura romanesca centrada não nos oprimidos de classe ou gênero, mas nas elites.Mas Francis, paradoxalmente, não reconhecia a existência de toda uma vertente conservadora na literatura brasileira moderna que havia adotado exatamente este ponto de vista, tal como os romances de Otávio de Faria e Lúcio Cardoso, muito embora certamente conhecesse e respeitasse estes autores (além destes, o pernambucano Hermilo Borba Filho estava na época tentando realizar um projeto literário semelhante).Os romances de Francis, apesar de conterem os recursos estilísticos habituais (frases telegráficas, coloquialismo, uso de estrangeirismos) que haviam feito a celebridade de Francis como jornalista, não foram apreciados pela crítica literária – a esta altura já concentrada nas universidades – que censuraram-lhe o caráter indeciso de sua ficção entre a literatura de elite e a popular, a ligeireza da discussão de idéias e o recurso freqüente ao puramente escandaloso ("retórica da esculhambação"), o grosseiro e o sexual. Seus críticos reconheceram, no entanto que o uso de tais recursos poderia explicar-se, seja pela influência de autores como Nelson Rodrigues e Henry Miller, seja pelo desejo, próprio de todo o modernismo brasileiro, de contrapôr-se à retórica pomposa e vazia do senso-comum dominante.Estes romances, apesar de interpretados como fracassos pelo autor, tiveram relativo sucesso de público, tendo sido reimpressos várias vezes durante a década de 1970, muito em função do prestígio de Paulo Francis. O escritor se consolava por seus livros terem sido ao menos discutidos como coisa séria por alguns críticos sérios. As críticas mais pesadas a Francis, na época, foram as de dois notórios intelectuais conservadores: José Guilherme Merquior e Wilson Martins.A esquerda da época, por sua vez, apesar de expressar sérias reservas, tratou Francis com respeito, tanto é que seu velho amigo, o editor comunista Ênio Silveira, que havia publicado Cabeça de Papel, organizou um número especial de sua Revista da Civilização Brasileira para que a obra de Francis fosse debatida por dois professores universitários, abrindo espaço para que Francis replicasse a cada um individualmente – o que ele fez da costumeira forma ácida e esnobe, chegando a dizer a um dos críticos que, para que ele chegasse a conhecer o que era realmente a "boa sociedade", garantiria pessoalmente sua entrada no então templo da boemia carioca, o restaurante Antonio's.Seja como for, Francis admitiria logo depois, em seu livro de memórias, O Afeto que se encerra (1980), que contava que o sucesso como escritor lhe garantisse recursos materiais suficientes para abandonar o jornalismo diário, mas vergou-se ao fracasso comercial dos livros, incluindo as duas novelas reunidas no volume Filhas do Segundo Sexo, de 1982, em que havia feito uma tentativa de tematizar a emancipação da mulher de classe média no Brasil da época, através de uma ficção sem muitos recursos formais, semelhante à do cronista José Carlos Oliveira, muito popular na época.As expectativas infladas de Francis quanto às suas possibilidades de sucesso comercial não só eram ingênuas, dadas as dimensões do mercado editorial brasileiro, como também refletiam o que seria o fator determinante de seu papel subsequente na cena jornalística. Como dizia Isaac Deutscher, biógrafo de Trotsky e uma das grandes influências de Francis, não há como um intelectual original obter sucesso imediato: seu impacto é sempre lento e indireto, dada a necessidade do público de absorver idéias novas.Guinada ao conservadorismo e trabalhos na televisão[editar | editar código-fonte]
O fim do regime militar, em 1985, colocou Paulo Francis numa situação similar a outros membros da elite intelectual brasileira que haviam militado na "resistência" à ditadura: se o fim do regime ditatorial atendia às suas aspirações políticas e intelectuais, ao mesmo tempo sentiam-se repugnados com a emergência de uma democracia de massa dotada de traços grosseiros e vulgares, combinados a uma consciência cada vez mais clara da incompetência e a corrupção dos governantes na Nova República.Em Francis, cujo esquerdismo havia, como sempre, combinado-se a uma constante reverência diante de uma cultura elitista e a um certo esnobismo, esta repulsa o levou a uma postura de crítica emocional violenta em relação à classe política brasileira, expressa de forma às vezes dura, não faltando ofensas pessoais em suas crônicas e artigos da época.A combinação esquerdismo e elitismo, que até então o havia levado a solidarizar-se com as massas apesar das suas deficiências culturais, passou a se deslocar a uma oposição à vulgaridade que o levou cada vez mais a identificar-se com as elites de esquerda (ou com o seu próprio ideal do que tal elite deveria ser, representar e defender).Daí ele ter-se revelado cada vez mais descontente com o que considerava ser um certo esquerdismo inercial próprio aos intelectuais do Brasil – apegados aos seus antigos ideais mesmo num momento de crise das idéias de esquerda e de hegemonia crescente do neoliberalismo – para finalmente reconhecer o equívoco intelectual de esquerda e identificar-se com a mesma direita que havia combatido durante o regime militar.Avaliar esta reviravolta ideológica de Paulo Francis depende da ideologia do avaliador. Para seus admiradores de direita, tratava-se de um ato de lucidez política; segundo o economista conservador Roberto Campos, Francis teria descoberto que "o socialismo acabou, morreu, já não vale o investimento".Francis, como trotskista, não havia sido jamais um admirador do regime político então vigente na União Soviética e nos seus satélites do Leste Europeu, e a queda do Muro de Berlim não o afetava diretamente em suas idéias políticas (Trotsky havia previsto a queda do stalinismo em seu A Revolução Traída).No entanto, no mundo da década de 1960 e no Brasil da ditadura militar, uma postura esquerdista puramente literária e verbal – do tipo que o jornalista americano Tom Wolfeapelidaria radical chic – era muito bem vista em meios literários e jornalísticos.Paulo Francis fez dura oposição ao governo José Sarney, assim como à imprensa brasileira, que para ele tratava Sarney com excessivo e imerecido respeito. Francis por vezes comparava o comodismo e o "bom-mocismo" da imprensa brasileira com o que tinha como agressividade e a independência da imprensa americana. Encontrava-se, nesta época, dominado por um desencanto com o um crescente plebeísmo dos costumes políticos brasileiros, desencanto que tomaria a forma de rejeição aos movimentos políticos de massa da época, e especialmente com o Partido dos Trabalhadores, que ele considerava "uma cópia grotesca do PCB", e que suscitaria, às vésperas das eleições municipais de 1988, um seu ataque violento à candidatura de Luiza Erundina à prefeitura de São Paulo.Um de seus artigos atacando o candidato do PT (que, segundo Francis, transformaria o Brasil no "Sudão da América Latina") teve grande repercussão e provocou, entre várias reações, uma resposta de Caio Túlio Costa, então ombudsman da Folha de São Paulo. A tréplica de Francis gerou uma dura polêmica, sendo uma possível causa de sua mudança da Folha para o Estado de São Paulo. Na eleição presidencial de 1994 Francis apoiou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso, que tinha como seu amigo pessoal, embora a razão mais provável talvez fosse Fernando Henrique Cardoso ser uma alternativa a uma nova candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, a segunda de suas quatro candidaturas. A propósito de Lula, Paulo Francis gostava de citar Antônio Carlos Magalhães: "Entre Lula e uma alternativa, o povo vota na alternativa".Desde 1980, tornou-se comentarista televisivo das Organizações Globo – uma virada emblemática para quem havia acusado Roberto Marinho de ter provocado o seu banimento do país durante uma de suas prisões, em um artigo d’O Pasquim, intitulado "Um homem chamado porcaria". Celebrizou-se pelas suas aparições histriônicas no ar, onde exagerava na voz arrastada e grave, sua marca registrada, que lhe rendeu inumeráveis imitações. A notoriedade que lhe valeu esta nova persona pública, no entanto, serviu também para celebrizar seus comentários, que incluíam ataques "politicamente incorretos" a figuras públicas como, por exemplo, o sindicalista da CUT Vicentinho, as prefeitas de São Paulo Luiza Erundina e Marta Suplicy, o cantor Cazuza, entre muitos outros.Última polêmica e morte[editar | editar código-fonte]
Em inícios de 1997, no programa de TV a cabo do qual participava, Manhattan Connection, transmitido pelo canal GNT, Francis propôs a privatização da Petrobras e acusou os diretores da estatal de possuírem cinqüenta milhões de dólares em contas na Suíça – acusação pela qual foi processado na justiça americana, sob alegação da Petrobras de que o programa seria transmitido nos Estados Unidos para assinantes de canais brasileiros na TV a cabo. Como Paulo Francis acusou sem provas, tinha a certeza que seria condenado e pagaria indenização milionária aos diretores da Petrobras. Com a iminência do processo milionário Paulo Francis sofre estresse profundo.Francis acabou por morrer de um ataque cardíaco, diagnosticado, em seus primeiros sintomas, como uma simples bursite. Era casado com a jornalista e escritora Sonia Nolasco, com quem viveu por mais de vinte anos. Seu corpo embalsamado foi trasladado de Nova York para o Rio de Janeiro e enterrado no jazigo familiar do Cemitério de São João Batista. - Paulo Francis, pseudônimo de Franz Paul Trannin da Matta Heilborn foi um jornalista, crítico de teatro e escritor brasileiro. Wikipédia
- Nascimento: 2 de setembro de 1930
- Falecimento: 4 de fevereiro de 1997
Quem matou Paulo Francis?
Por Lúcio Flávio Pinto em 29/01/2013 na edição 731
- Reproduzido do Jornal Pessoal nº 529, 2ª quinzena/janeiro 2013; intertítulos do OI
O tom dominante nos registros sobre os 17 anos da morte de Paulo Francis, no próximo mês, deverá ser o dos anos anteriores: sua morte foi causada ou precipitada por uma ação judicial proposta contra ele pelos diretores da Petrobras. De tanto ser repetida, a história já é de domínio público. Angustiado pelo questionamento judicial, Francis estava sob tal pressão que acabou sofrendo um enfarte. Morreu em fevereiro de 1996, em Nova York.
Muito se escreveu a respeito desde então, mas há mais especulação e confusão em torno desse episódio do que fatos concretos. Hoje já é possível dizer que a saúde do jornalista pode ter sido mais prejudicada pela desatenção (ou negligência) do seu médico. Num atendimento superficial, ele diagnosticou como bursite as dores que Francis vinha sentindo. E se mandou para o carnaval carioca, onde ficou sabendo da morte do seu paciente.
Para a opinião pública, e em particular para os jornalistas, a questão que sobreviveu à morte de Paulo Francis é a sua relação com o processo. Os sete diretores da Petrobras, liderados pelo [então] presidente, Joel Rennó, decidiram cobrar reparação judicial pelo dano moral que alegaram ter sofrido. Durante o programa Manhattan Connection, no ar até hoje, Francis disse que “os diretores da Petrobras põem dinheiro na Suíça”; que “roubam em subfaturamento e superfaturamento”; e que constituem “a maior quadrilha que já atuou no Brasil”.
Ao ouvir essas acusações, Lucas Mendes, o mais antigo participante do programa, se virou surpreso e de certa forma chocado pela gravidade das denúncias do companheiro. Como qualquer jornalista profissional faria, questionou Francis: ele tinha as provas do que acabara de dizer, de improviso, sem qualquer acerto?
Ficou logo evidente que ele não tinha provas das afirmativas. Dissera aquilo por impulso, em função do papel que criou e desempenhava na televisão, sua contribuição para a originalidade do programa. Os telespectadores deviam entender que precisava agir assim para manter o interesse e a admiração dos que o assistiam. Era o preço por desfrutarem de qualidades que não costumam abundar no meio jornalístico: ampla e densa cultura, rapidez de raciocínio, boa memória e atributos teatrais.
Faltou apuração
Acusados sem provas, os diretores da Petrobras, em conjunto, foram à forra. Perceberam que o antagonista era fraco. Além do valor descabido atribuído à causa (para os padrões brasileiros), de 100 milhões de dólares, capricharam no maquiavelismo ao propor a ação em Nova York. A justiça americana é receptiva a cobranças desse porte em função de alegado dano moral, ao contrário da justiça nacional.
Paulo Francis parece ter entrado realmente em pânico. Sabendo-se desprovido de meios para provar o que afirmou com tanta ênfase, sabia também que perderia no final da demanda. Esse final, contudo, jamais aconteceria nos Estados Unidos. Qualquer iniciado nas regras processuais sabia que o foro competente para examinar a causa seria o do Rio de Janeiro, sede da TV Globo, responsável pelo Manhattan Connection, exibido pelo canal pago Globo News.
Embora o programa seja gravado em NY, ele é apresentado no Brasil e só no Brasil. Claro que alguém pode sintonizá-lo em qualquer parte do mundo, mas o domicílio da empresa responsável, para todos os efeitos legais, é o Rio. Não é onde ele é gravado nem onde moram seus apresentadores. Desaforado para o Brasil, o processo teria outro tratamento.
Até hoje não se sabe qual a orientação dada pelos dois advogados que Francis contratou. Sabe-se apenas que ele reclamava publicamente do serviço da sua defensora americana, por considerá-lo caro (nos últimos tempos de vida ele parecia sovina nessas despesas). Será que nenhum deles lhe assegurou o que acabou acontecendo, o arquivamento do processo, semanas depois da morte do jornalista, por inadequação do foro?
Em entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, em agosto de 1998, um ano e meio depois da morte de Francis, Joel Rennó tentou justificar a escolha de Nova York dizendo que o programa da Globo News era “produzido, transmitido e divulgado nos Estados Unidos”. É a típica falácia geralmente adotada pelos detentores de poder, no Brasil e no mundo. Não é crível que os advogados do grupo de executivos não lhes tivesse feito a ressalva sobre o foro competente. A insistência tinha o objetivo de retaliar o acusador.
Talvez com esse detalhe na cabeça, Rennó procurou se apresentar como magnânimo: ele e seus companheiros de diretoria desistiram de prosseguir na demanda, o que podiam fazer, transferindo a cobrança para a herdeira (a mulher de Francis, a também jornalista Sonia Nolasco) e sucessores do oponente.
Agindo assim, também agradavam o presidente da República. Amigo de longa data de Paulo Francis, Fernando Henrique Cardoso disse que tentou demover os seus subordinados do intento, em vão. Não ficou esclarecido se o fracasso se deveu à inflexibilidade dos demandantes ou porque FHC não aprovou as acusações de Francis.
Desde o abalo causado pela morte súbita e controversa de Paulo Francis, amigos e detratores, admiradores e críticos do jornalista se dividem em juízos a favor e contra ele sobre uma base factual frágil. Ninguém reproduziu a ação dos diretores da Petrobrás nem esclareceu se eles constituíram advogados particulares ou se valeram do serviço jurídico da poderosa empresa estatal. Rennó já estava havia cinco anos em seu comando e ainda ficaria no cargo por igual tempo depois da morte de Francis, tornando-se recordista no posto.
Esses e outros fatos permanecem ao largo dos necrológios, livros e até de um bonito mas superficial documentário sobre o jornalista (Caro Francis). Houve muita análise, testemunho e opinião sobre Paulo Francis, mas não um trabalho de apuração jornalística competente, o que resulta em prejuízo para o ofício e seus praticantes.
Prazer e proveito
Todos nós, jornalistas e o público, podíamos tirar proveito do drama seguido de tragédia. A ação que Cecílio do Rego Almeida propôs contra mim foi protocolada em São Paulo. O empresário alegou na petição inicial que este jornal podia ser visto nas bancas de revista da capital paulista, onde era muito lido. A mentira criaria seguidores.
Quando me condenou a indenizar os Maioranas, o juiz Raimundo das Chagas avaliou o valor do dano moral que eu lhes teria causado em 30 mil reais. Afirmou que o Jornal Pessoal tem uma grande circulação e é muito lido pelos estudantes. Não forneceu nenhuma fonte para essas alegações. Nem podia, é claro. Mas seguiu o antecedente de C. R. Almeida, O mesmo adotado pelos dirigentes da Petrobrás. Os poderosos se parecem.
É algo que devem ter sempre em mente os jornalistas que os desagradam ou os enfrentam. A reação virá e raramente ela é caracterizada pelo espírito democrático, o interesse público ou a tolerância. Paulo Francis foi leviano e irresponsável no seu ataque aos diretores da Petrobrás. É um comportamento execrável no jornalismo. Temos que ser capazes de demonstrar tudo que transmitimos à opinião pública. Mas os sete dirigentes da Petrobrás realmente se propuseram ao bom combate?
Rennó garante que sim. Na sua entrevista, ele lembrou ter interpelado o jornalista a provar o que dissera. Paulo Francis ignorou a provocação em juízo. Talvez acreditasse num jeitinho “por fora” (mais um “por fora” dos – maus – costumes nacionais) que impedisse a instauração do litígio e o poupasse do constrangimento de admitir que mentiu. Ou, se não mentiu deliberadamente, de caso pensado, disse o que não sabia, não tinha condições de provar. Foi apenas boquirroto. Mais uma vez. A derradeira vez.
A moral da história acabou sendo ruim para Francis e o jornalismo brasileiro. Apanhados no flagrante, alguns dos praticantes desses hábitos tentaram atirar o peso de alguma responsabilidade sobre Lucas Mendes. Ele podia ter ignorado mais essa fanfarronice de Paulo Francis e desviado do assunto melindroso. Se agisse assim, Mendes também teria errado. Jornalismo não é exercício de livre arbítrio absoluto nem se reduz a idiossincrasias ou iconoclastias, por mais divertidas, curiosas e brilhantes que sejam.
O triste episódio serviu de prova dos noves derradeira sobre a diferença entre o repórter e o jornalista. Paulo Francis nunca foi repórter, aquele profissional que produz textos em cima dos fatos observados, testemunhados, anotados, ditados, pesquisados, lidos. Ele foi um grande jornalista, provocador de debates, autor de algumas das melhores crônicas dos nossos tempos.
Um cronista, pois. Nenhum o substituiu na posição única que acabou ocupando. Suas qualidades foram levadas ao exagero por quem lhe pagava o maior salário da imprensa brasileira, por motivos mais mercadológicos do que propriamente culturais. E se altearam ainda mais quando projetadas sobre uma incultura cada vez maior dos leitores e da sociedade em geral.
Muitos dos que achavam Paulo Francis genial eram incapazes de determinar o conteúdo dessa genialidade. Liam-no com genuíno prazer e proveito. Mas hoje, passados 17 anos, o que ficou de tantos fogos de artifícios produzidos por Franz Paul Trannin Heilborn?
Talvez o que garanta a extensão da sua memória seja menos a hagiografia dos seus fãs e amigos do que a obtusidade dos seus críticos, como Fernando Jorge. Quem conseguir encarar o catatau que ele produziu em livro para pinçar todos os muitos erros cometidos por Francis em seu vaudeville do “Diário da Corte”, chegará ao fim da façanha convencido pelas erratas do exumador de ossos e saudoso da picardia de Paulo Francis, da sua pantomima de alta qualidade.
***
[Lúcio Flávio Pinto é jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)]
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Brain-to-brain interface demonstration
18 de Novembro de 2014
Pesquisadores conseguem estabelecer comunicação direta entre cérebros humanos
A telepatia sempre pareceu algo presente apenas em ficção científica, mas, para alguns cientistas, isso pode se tornar realidade. E se nossos cérebros realmente tiverem a capacidade de interagir diretamente uns com os outros, ignorando a necessidade de linguagem? De acordo com pesquisadores da Universidade de Washington, esta possibilidade não parece ser algo tão distante assim.
No começo deste ano, os pesquisadores já haviam identificado que seria possível enviar sinais do cérebro através da internet, com o objetivo de controlar os movimentos da mão de um segundo participante. Agora, em um estudo mais detalhado, os pesquisadores conseguiram transmitir, de maneira repetida, sinais do cérebro de uma pessoa através da internet, e estes sinais serviram para controlar os movimentos da mão de outra pessoa dentro de uma fracção de segundo.
O estudo foi realizado com seis pessoas, divididas em três pares, em que um era emissor e o outro receptor. Cada dupla estava separada a uma distância de menos de um quilômetro, em prédios no campus da Universidade de Washington. Eles não puderam interagir uns com os outros, com exceção da ligação entre os seus cérebros.
O teste foi o seguinte: um participante, o "remetente", ficou ligado a um eletroencefalograma que leu a sua atividade cerebral e enviou pulsos elétricos através da Internet para o "receptor", que teve um equipamento de estimulação magnética colocado próximo da parte do seu cérebro que controla os movimentos das mãos. Desta maneira, o remetente pode emitir um comando para mover a mão do receptor, apenas “pensando” no movimento.
O remetente, que estava jogando um videogame de computador em que ele teria que defender uma cidade, disparando canhões, pensa em disparar o canhão em vários intervalos durante todo o jogo. Ao pensar "Fogo!", sinais cerebrais, enviados através da internet, diretamente para o cérebro do receptor, fizeram com que a mão deste último disparasse o canhão.
A precisão entre os pares variou entre 25% e 83%. Os pesquisadores acreditam que, no futuro, este tipo de conhecimento poderá ter aplicações terapêuticas em pessoas com lesões cerebrais ou doenças. O estudo foi publicado na revista PLoS ONE.
Confira o vídeo com o experimento:
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
24 anos do Tijorola no Brasil
Hoje em dia você quer consultar rapidamente o email e pega o smartphone. Bateu o tédio? Tire o celular do bolso e abra a loja de apps — isso se ele não estiver já na sua mão, pois o WhatsApp e o Facebook não param de “apitar”. Ah, e você provavelmente está ouvindo música por ele, deixou vários vídeos do YouTube na fila para ver depois e, se quiser, até pode consultar o GPS para saber exatamente onde está.
Pode parecer estranho para muita gente, mas há alguns anos os celulares ainda nem se chamavam smartphones, muito menos acumulavam tantas funções assim. A prioridade era para as ligações ou mensagens e o mais moderno que havia era jogar "Snake", o popular "jogo da cobrinha".
Abaixo, listamos alguns aparelhos clássicos que você com certeza já teve ou viu nas mãos de alguém. Prepare-se para fazer uma viagem no tempo e se lembrar de (ou conhecer) uma época em que palavras como "iPhone", "Galaxy" e "Xperia" ainda não significavam nada.
Nokia 3310

Não tinha como começar com outro, não é mesmo? Talvez o modelo mais clássico da fabricante, esse celular lançado pela Nokia em 2000 ganhou uma espécie de sobrevida na memória dos fãs por conta das piadas — o gadget virou meme por ter uma bateria interminável e ser praticamente indestrutível. O carinho é tanto que ele até virou a brincadeira de 1° de abril da Microsoft em 2014. Ele teve várias variantes com nomes parecidos e apresentava o conteúdo em uma tela de 84x48 pixels. Ao todo, foram 126 milhões de unidades vendidas em todo o mundo.
Motorola RAZR V3
Você se lembra de quando celulares com flip eram a maior moda — e abrir ou fechar o aparelho com uma das mãos parecia a coisa mais estilosa do mundo? Estima-se que o Motorola RAZR V3, de 2004, seja o modelo mais vendido da fabricante, com mais de 130 milhões de unidades comercializadas. O aparelho era bastante fino para a época (13 mm de espessura) e tinha um design moderno.

Um pouco mais moderno que o anterior, ele tinha tela de 176x220 pixels, câmera VGA, Bluetooth e a possibilidade de sincronizar conteúdo com o PC. A memória disponível, entretanto, era de incríveis 7 MB. O sucesso do modelo foi tanto que a linha RAZR foi ressuscitada anos depois para o lançamento de uma série de smartphones.
Nokia 6110

A Nokia marcou época no início da vida dos celulares, mesmo que eles não fossem um primor em uso ou design. O 6110 parecia antiquado até mesmo em 1997, ano de seu lançamento: a antena era enorme e bastante visível e o visual parecia o de um telefone de casa sem fio. Acredita-se que ele foi o primeiro a contar com uma interface separada por ícones, sendo ainda o pioneiro da Nokia em sensor infravermelho e no jogo "Snake". A bateria durava dias, mesmo com apenas 900 mAh.
Sony Ericsson K750

Quando falamos hoje em especificações técnicas matadoras, logo imaginamos um processador incrível, memória RAM que não acaba mais e uma bateria de cair o queixo. Mas o celular "top de linha" Sony Ericsson K750 impressionou o público em 2005 por ter uma câmera digital traseira de 2 MP. Ele pesava somente 99 g e suportava cartões de memória de até 2 GB, sendo o reprodutor de mídia de muita gente que não havia se rendido ao iPod.
Motorola StarTAC

O primeiro celular com flip completo do mundo foi o Motorola StarTAC, em 1996. Ele mescla um visual ainda "tijolão" com a modernidade do visual "concha", sendo um dos primeiros grandes sucessos da história dos celulares. Ele também introduziu o vibracall como alternativa aos ringtones. Na época, quem quisesse aproveitar essa maravilha tecnológica precisava desembolsar US$ 1 mil.
Nokia 1110
Junto com o 3310, o celular Nokia 1110 também está no coração do público. Lançado em 2005, o aparelho foi um dos últimos com tela em preto e branco, mas já possuía modernidades como toques polifônicos, alarme e antena 2G.

Com preço baixo e facilidade de uso, ele foi um dos aparelhos mais populares de países em desenvolvimento — exatamente o caso do Brasil. A autonomia do aparelho em standby? Até 380 horas de uso sem precisar de recarga. Ele ganhou uma versão atualizada, a 1110i, no ano seguinte. Ao todo, foram 150 milhões de unidades vendidas em todo o mundo.
Motorola PT-550
Esse "vovô" pode não estar na memória de muita gente, mas marcou época. Isso porque o Motorola PT-550 foi o primeiro celular vendido no Brasil — e o primeiro a receber o carinhoso apelido de "tijolão". Ele chegou ao país em 1990 tendo a portabilidade (na medida no possível, claro) como principal recurso, além do identificador de chamada, que era uma linha de números na cor verde.

Os botões eram muito similares aos de qualquer aparelho fixo e ele até possuía um flip, mas que só escondia o teclado. Segundo o Rank Brasil, ele saiu primeiro só no Rio de Janeiro e custava entre 500 e 750 cruzados, mais 350 ou 400 cruzados para a linha telefônica.
Siemens A50/A55

Talvez o modelo mais clássico da Siemens (ao menos em terras brasileiras), o A50 e suas variáveis destacavam-se na multidão por conta da tela monocromática, porém com um tom alaranjado inconfundível. Ele foi o primeiro modelo de muita gente e vinha em várias cores, mas as variantes azul e branca foram as de maior sucesso. A agenda suportava até 50 contatos — provavelmente bem menos do que a quantidade atual dos seus amigos com WhatsApp.
Motorola C139
Dois anos antes do lançamento do primeiro iPhone, o Motorola C139 era um dos modelos que reinava no mercado. A tela era muito pequena, com 1,25", e ele tinha certos defeitos. Um deles estava na hora de ativar a luz do aparelho: para fazer isso, era preciso pressionar uma tecla – e ela também era executada, além de iluminar o aparelho. Isso resultava em ligações recusadas sem querer e outros problemas.

Ainda assim, ele servia perfeitamente (e serviu durante muito tempo) para quem estava atrás apenas de um aparelho para efetuar e receber chamadas. Além de "Snake", ele contava com os jogos "Box World" e "5 Stones".
...
É muita história a ser contada nessa linha do tempo de celulares. Por isso, não foi possível listar absolutamente todos os aparelhos que marcaram época e continuam em nossas memórias. E aí, qual o gadget do passado que não sai da sua cabeça?
Assinar:
Postagens (Atom)
